quinta-feira , 28 maio 2026
Lar Mais Como trabalho integrado revelou ecossistema financeiro do crime organizado no setor de combustíveis
MaisSão PauloSegurançaÚltimas notícias

Como trabalho integrado revelou ecossistema financeiro do crime organizado no setor de combustíveis



O avanço das investigações sobre a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis em São Paulo evidenciou a importância da atuação conjunta entre forças estaduais e federais para desmontar estruturas criminosas cada vez mais sofisticadas. A Operação Fluxo Oculto, realizada nesta quinta-feira (28), é resultado direto do trabalho integrado entre órgãos de segurança pública, fiscalização tributária e controle financeiro, que atuaram no rastreamento de movimentações suspeitas, identificação de empresas de fachada e descoberta de um complexo ecossistema de lavagem de dinheiro.

Ao todo, a operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão, sendo 42 no estado de São Paulo e os demais no Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

LEIA TAMBÉM: Força-tarefa do Governo de SP realiza nova operação contra crimes no setor de combustíveis

Por parte das forças de segurança paulista, participaram da ofensiva 18 delegados da Polícia Civil e 176 policiais militares. Também atuaram 87 promotores de Justiça e servidores, 38 auditores fiscais, além de 10 fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros 135 da Receita Federal.

“Nunca vi em toda minha carreira tantas operações conjuntas como temos feito ultimamente. Essa parceria só tem a acrescentar não só nos trabalhos de combate ao crime organizado, mas também mostra à população a extensão dessas ações, investigações e fiscalizações para impedir que essas quadrilhas escondam os recursos ilícitos em negócios aparentemente lícitos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, durante coletiva de imprensa.

As apurações começaram a partir da identificação de fraudes ligadas ao mercado de combustíveis, mas ganharam proporções maiores à medida que os investigadores passaram a cruzar informações fiscais, bancárias e financeiras. O trabalho conjunto permitiu revelar como organizações criminosas utilizavam instituições de pagamento, distribuidoras, empresas de investimento e postos de combustíveis para movimentar recursos ilícitos e ocultar patrimônio.

Segundo os investigadores, a atuação integrada dos órgãos foi fundamental para compreender a estrutura financeira utilizada pelo bando. Enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público aprofundaram as investigações criminais e o rastreamento dos envolvidos, a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP) atuou na identificação de irregularidades fiscais e movimentações incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas.

LEIA TAMBÉM: Operação da Polícia de SP desmonta esquema bilionário de jogos ilegais e lavagem de dinheiro

Já a Receita Federal e a Procuradoria Geral (PGE-SP) auxiliaram no cruzamento de dados financeiros e patrimoniais, enquanto a ANP contribuiu tecnicamente nas análises relacionadas ao desvio de produtos utilizados na adulteração de combustíveis.

“Foi uma operação de intensa cooperação interfederativa e interinstitucional. Conseguimos desvendar essa arquitetura financeira de lavagem de dinheiro e atacamos o pilar financeiro dessas organizações criminosos”, destacou o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.

Uma das frentes da investigação revelou a existência de fintechs utilizadas como “bancos paralelos” da organização criminosa. As instituições de pagamento eram usadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de pagamentos de operadores, movimentação de investimentos e ocultação da origem dos recursos.

Outra linha investigativa identificou o desvio de nafta petroquímica para abastecimento irregular de terminais e postos de combustíveis. As análises apontaram o uso de empresas-fantasma para simular operações comerciais e dar aparência de legalidade às transações envolvendo solventes utilizados na adulteração de combustíveis.

Até o momento, as equipes apreenderam 26 celulares, 10 computadores, além de R$ 352,1 mil em espécie, US$ 59,2 mil, € 12,4 mil e outras moedas estrangeiras que totalizam mais de 60 mil unidades.

De acordo com as autoridades, a operação representa mais uma etapa do aprofundamento investigativo sobre os mecanismos financeiros que sustentam organizações criminosas e garantem a expansão de atividades ilícitas em setores estratégicos da economia formal.



Fonte da Matéria

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

MaisSão PauloSegurançaÚltimas notícias

Polícia de SP apreende 2 mil camisas e 85 mil figurinhas da Copa falsificadas

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) realizaram nesta quinta-feira (28)...