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Conheça a história da primeira polícia feminina da América Latina citada durante a posse da comandante da PM de SP


O Governo de São Paulo deu posse nesta quarta-feira (29) à coronel Glauce Anselmo Cavalli como primeira comandante-geral mulher da história da Polícia Militar do Estado. Em seu discurso, a coronel e o governador Tarcísio de Freitas homenagearam as 13 mulheres que ingressaram na então Guarda Civil de São Paulo em 12 de maio de 1955 e integraram a primeira polícia feminina da América Latina.

Conhecidas como “as 13 mais corajosas de 1955”, elas formaram o Corpo de Policiamento Especial Feminino. O grupo era liderado pela comandante Hilda Macedo e reunia 12 mulheres selecionadas entre 50 candidatas, segundo registros históricos da Polícia Militar e da Associação dos Oficiais da Polícia do Estado de São Paulo (AOPP).

A criação do corpo feminino partiu do então governador, Jânio Quadros, que pediu ao diretor da Escola de Polícia de São Paulo, Walter Faria Pereira de Queiroz, um estudo para inserir mulheres na atividade policial. O Decreto 24.548, de 12 de maio de 1955, instituiu o grupo dentro da estrutura da antiga Guarda Civil de São Paulo, de acordo com registros da Assembleia Legislativa (ALESP).

No dia 26 de maio do mesmo ano, o Decreto 24.587 detalhou os requisitos de admissão. As escolhidas passaram por curso intensivo de 180 dias na Escola de Polícia.

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Hilda Macedo defendeu igualdade entre homens e mulheres

Antes de assumir o comando do grupo pioneiro, Hilda Macedo era assistente da cadeira de Criminologia da Escola de Polícia. Em 1953, ela apresentou no I Congresso Brasileiro de Medicina Legal e Criminologia uma tese que defendia a competência igualitária de mulheres e homens na atividade policial.

A Polícia Militar do Estado de São Paulo, como existe hoje, só foi criada em 9 de abril de 1970, com a fusão de duas corporações que até então atuavam de forma separada: a Guarda Civil, onde estavam Hilda Macedo e as outras 12 pioneiras, e a Força Pública, instituição militarizada do Estado fundada em 1831. Após a unificação, Hilda seguiu carreira na nova corporação e chegou ao posto de coronel. Em seu discurso de posse, a coronel Glauce a chamou de “lendária comandante”.

Em 1955, a missão das pioneiras era diferente da exercida pelos homens. Elas trabalhavam no amparo e na proteção a mulheres, idosos, crianças, adolescentes e migrantes, mas não atuavam diretamente no combate ao crime.

“Imaginem, naquele tempo, elas entraram e tinham uma missão social, de amparo e assistência. Elas não iam combater o crime. Mas esse tempo mudou. Hoje a PM conta com 11,7 mil mulheres, oficiais e praças. E hoje, a responsável pelo combate ao crime, a grande comandante, é uma mulher”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas durante a cerimônia desta quarta-feira.

O efetivo total da Polícia Militar de São Paulo atualmente, somando homens e mulheres, é de 81 mil policiais militares.

Mulheres entram no Barro Branco em 1971

A presença feminina na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, fundada em 1907, começou em 1971, quando 21 alunas formaram a primeira turma feminina da escola. Entre elas estava Vitória Brasília, que chegou ao posto de coronel em 1997.

A integração total avançou em etapas. A estrutura dos batalhões femininos foi extinta em 2000, quando o serviço da corporação se tornou misto, e em 2011 a Polícia Militar acabou com o quadro que ainda separava a formação de homens e mulheres.

“Ser a primeira mulher a liderar a Polícia Militar do Estado de São Paulo em quase 200 anos não é uma vitória pessoal, mas uma conquista de todas as policiais militares que percorreram um caminho pavimentado, especialmente pelas pioneiras”, afirmou a coronel Glauce.

A coronel da reserva Vitória Brasília, hoje com 80 anos, entrou na polícia em 1967

Nova comandante

Formada em 1997 pela Academia do Barro Branco, a coronel Glauce ocupou cargos como diretora de Logística da PM, comandante do Comando de Policiamento da Área Metropolitana 2 (CPA/M-2), chefe da Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e chefe do Centro de Comunicação Social da corporação.

Ela tem mestrado e doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, graduação em Direito e em Educação Física.

A coronel Glauce assume a comandância no lugar do coronel José Augusto Coutinho. O subcomando ficará com o coronel Mário Kitsuwa, ex-comandante do Comando de Policiamento Metropolitano 9.





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