O Programa Alfabetiza Juntos SP, do Governo de São Paulo em parceria com os municípios, avança para garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas na idade certa. A iniciativa conta com uma série de ações que envolvem a formação de professores, avaliações e materiais didáticos. Entre as atividades implementadas está o uso da plataforma de leitura Elefante Letrado, que oferece cerca de 500 livros acessíveis a alunos de todos os níveis da etapa de alfabetização.
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Aos 7 anos de idade, Sofia Barbosa Moretti comemora uma conquista que mudou a dinâmica da sua casa. Agora, é ela quem lê para a mãe, para a irmã mais velha e para os avós. “Só faltava eu para saber ler na minha família”, conta a aluna do 2º ano da Escola Estadual Paulo Monte Serrat, na zona leste da capital. O hábito, que antes dependia da mediação da mãe, hoje se transformou em um momento de autonomia e descoberta.
No 1º ano da mesma escola, Lucas Pereira Vilela, de 6 anos de idade, ainda está no processo de alfabetização, mas já tem planos para o futuro. Ele quer aprender a ler para entender melhor seus jogos e realizar o sonho de ser médico. “Quero ser cardiologista porque quero cuidar do coração de todo mundo”, diz. A inspiração vem da família: “A vovó falou que, quando estiver com o coração ruim, quer que eu cuide dela”.

Histórias como essas mostram um movimento que vem ganhando força dentro da escola, que está próxima de atingir os 90% de alunos leitores ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, meta da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Só para comparar, em 2023, no primeiro ano da Avaliação da Fluência Leitora, a unidade registrou 79% de estudantes leitores iniciantes ou fluentes. Ao final de 2025, esse índice saltou para 86,9%.
Para a diretora da unidade, professora Gislaine Beccarini, o monitoramento a partir da Avaliação da Fluência Leitora — aplicada duas vezes ao ano —, além de testes semelhantes dentro da plataforma Elefante Letrado, permite com que a escola identifique dificuldades específicas de forma mais rápida e estabeleça atividades de recomposição de aprendizagem entre professores de sala de aula e docentes que atuam como professores tutores e de ensino colaborativo: “O sistema funciona como uma ‘peneira’ que localiza alunos sem fluência”.
Como funciona a Avaliação da Fluência Leitora
Utilizando um aplicativo do CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), os professores gravam a leitura de palavras e textos, com o objetivo de identificar possíveis lacunas no processo de alfabetização. São observados o entendimento de palavras, palavras desconhecidas e textos adequados à etapa escolar, a partir da habilidade, fluidez e ritmo de leitura.
O app grava a leitura dos alunos e agiliza o acesso aos resultados. Este é o primeiro ano que todos os 645 municípios paulistas têm seus estudantes avaliados nas duas edições da Fluência Leitora, aplicadas no primeiro e agora, no segundo semestre.
São consideradas leitoras fluentes as crianças que conseguem ler entre 45 e 60 palavras corretamente no decorrer de um minuto, entre 28 e 40 palavras desconhecidas e atingem 97% de precisão na leitura de palavras existentes em um texto.
Na escola Paulo Monte Serrat, conta a diretora Gislaine, o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes é constante, e a escola implantou outra atividade para evolução dos estudantes: “Nós organizamos pequenas apresentações de jornais, como se eles estivessem na TV lendo um teleprompter, mas estão lendo o que está escrito no celular, computador ou tablet. Assim, quando eles chegam na Avaliação da Fluência Leitora, estão ambientados com uma situação semelhante e não ficam tão nervosos na hora da leitura”.
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Para a professora do 2º ano da escola, Aline Cristina Rocha, as ferramentas digitais e os estudos do CAEd agregaram ao processo de alfabetização. “No começo do ano, eles estão lendo várias palavras e frases pequenas. Até o fim do ano, já leem livros inteiros com autonomia”, afirma.
Aline, que atua na fase de alfabetização há 12 anos, diz que o Alfabetiza Juntos SP trouxe mudanças para a sua atuação como professora: “As novas ferramentas exigem que o professor reflita sobre sua prática e evolua, superando o que aprendeu no início da carreira”.
Reconhecimento nacional e internacional
O programa da Secretaria da Educação apoia municípios e escolas estaduais com materiais integrados ao Currículo Paulista e formação para mais de 60 mil professores.
A iniciativa possui reconhecimento internacional da Unesco, baseada no modelo CARE-KNOW-DO (Cuidar, Saber e Fazer), que valida estratégias de alfabetização baseadas em evidências. Recentemente, o programa também recebeu o Selo Ouro no Compromisso Nacional pela Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação (MEC).













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